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Orgulho ou Vaidade? Descubra as diferenças

O Homem é essencialmente um animal narcísico – que se admira e precisa ser admirado. A sua qualidade é o orgulho; o seu defeito a vaidade.

O bom narcisismo assenta num sentimento de dignidade pessoal. A deficiência narcísica, o sentimento de vacuidade, de vazio e miséria interiores conduz à vaidade.

O orgulho tem brio, porque assume a plenitude do seu ser; senhor do seu amor-próprio e do seu valor social.

O vaidoso pinta-se com tinta brilhante para esconder as mazelas, as máculas da auto-imagem; como é pouco, assenhora-se de apetrechos que o possam fazer brilhar; a sua problemática é a de o ter – para suprimir aquilo que não é.

 

“O orgulhoso tem brio, o vaidoso procura brilhar.”

 

O orgulhoso, seguro de si deixa-se observar; o vaidoso, inseguro mas desejoso de mostrar o contrário, exibe-se. O orgulhoso tem brio, o vaidoso procura brilhar.

Esta distinção entre orgulho e vaidade procura tão-somente salientar o que há de diferente entre o narcisismo positivo (amor a si próprio), decorrente de um bom investimento de si mesmo, e o narcisismo negativo (aversão a si próprio), condicionado por um deficiente investimento de si próprio e que acarreta frequentemente um mecanismo de supercompensação com a construção ilusória de uma auto-imagem grandiosa.

O processo de compensação narcísica pela grandiosidade, pela exaltação ilusória da auto-imagem é como um prémio de consolação que o indivíduo atribui a si mesmo pelo facto de não se ter sentido e sentir suficientemente amado e admirado pelos outros (reconhecido no seu próprio valor).

Resulta, pois, da necessidade de reparar pelos seus próprios meios o insuficiente investimento que recebeu e que recebe dos outros – não amado nem admirado, é ele próprio a amar e admirar a sua imagem reflectida pelo espelho: necessariamente má porque, à partida, não apreciada pelo olhar do outro (não desencadeou o espanto e o desejo) e que, por isso mesmo, ele procura artificialmente valorizar (retoques, exibição) para retomar a finalidade primeira, ser desejado.

Em última análise, o narcísico enamora-se de si mesmo em razão de não ser ou não se sentir objecto do enamoramento do outro.

 

Bibliografia: Matos, A. C. (2001). A Depressão. Lisboa: Climepsi Editores

depressão inferioridade culpa

Depressão – Sentimento de Culpa e Inferioridade

No que diz respeito à depressão é importante olharmos a natureza e a qualidade da perda que origina o fenómeno depressivo lato sensu:

1 – Natureza da Perda: o doente depressivo não perdeu uma pessoa significativa (por morte ou retirada), mas o afecto de pessoas significativas, ou seja, a perda do amor de pessoas e não a perda de pessoas.

2 – Qualidade da Perda: Na depressão* o afecto que o indivíduo perdeu, foi o amor: o amor dedicado, generoso e oblativo.

Na depressão anaclítica ou borderline perdeu-se a protecção e assistência do cuidador.

Na depressão* pode permanecer a função de cuidar, mas falta o amor, o desejo de estar/conviver com o outro. (* designada depressão verdadeira)

A Depressão estrutura-se através da inferioridade e da culpa

A culpa resulta de duas origens convergentes:

1 – Idealização do “outro” – com a respectiva tendência a desculpabilizá-lo.

2 – Indução da culpa pelo “outro” – o qual, ao mesmo tempo se idealiza e se faz idealizar.

O sujeito projecta (coloca no outro) a sua bondade e introjecta (recebe do outro) a maldade.

Neste caso verifica-se um processo de inversão da experiência vivida no qual é influenciado pelo outro.

É este processo de despojamento da sua bondade e assimilação da maldade que conduz ao erro de avaliação da realidade pelo depressivo:

– “Eu sou mau, ele é bom”.

Há um erro lógico (cognitivo) de apreciação da realidade – erro em que é induzido pelo “outro”, o qual projecta a sua culpa no sujeito e absorve a bondade deste.

A relação depressígena (causadora de depressão) consiste precisamente nisto: culpar e idealizar-se a si mesmo.

A depressão pode ser vista como a relação que se estabelece com a pessoa depressígena:

– Que não desculpa mas culpa, que não ama mas capta o amor do outro; Trata-se de uma pessoa culpabilizante e desamante.

Por isso a culpa depressiva é uma culpa patológica e ilógica (erro lógico).

É este erro que o terapeuta tem que corrigir: fazer com que o paciente recupere o investimento perdido na idealização do “outro” e re-direccionar a culpa para o verdadeiro responsável; isto é, processar uma inversão do processo patológico.

O mesmo se passa para a inferioridade. A pessoa depressígena é aquela que inferioriza o outro e engrandecendo-se a si próprio. No grau máximo, é alguém que humilha.

Não há depressão sem culpa e sobretudo sem inferioridade, porque a retirada do amor – a causa prínceps da depressão – é só por si desnarcisante.

Por isso um dos sintomas da depressão é a baixa auto-estima.

Bibliografia: Matos, A. C. (2001). A Depressão. Lisboa: Climepsi Editores

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