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Esperar-o-pior-pode-levar-ao-pior.-Pedro-Martins-Psicoterapeuta

Esperar o Pior Pode Levar ao Pior

Um novo estudo mostra como os neuróticos criam as suas próprias profecias auto-realizáveis. Esperar o pior pode levar ao pior.

Você está prestes a encontrar-se com uma pessoa que conheceu online, talvez um futuro namorado; a ir a uma entrevista de emprego solicitada por uma empresa.

Inegavelmente, estas parecem ser grandes oportunidades, mas elas podem despertar muitas questões e medos internos.

Eles vão gostar de você o suficiente para avançar para um relacionamento, romântico ou profissional?

O que fará quando se encontrar com eles?

Você pensa nos momentos em que falhou em situações semelhantes e só consegue imaginar que as coisas vão correr mal.

Se disser a coisa errada a decepção será ainda maior.

E se deixar as suas crenças políticas escaparem na conversa, apenas para descobrir que essa pessoa pensa exactamente o oposto?

E se a sua mente ficar em branco quando tentar responder a uma pergunta importante?

 

As crenças negativas fazem com que as pessoas vejam as suas experiências através de um conjunto distorcido de percepções.

 

De acordo com a teoria cognitiva das emoções, a manutenção das crenças disfuncionais impedem as pessoas de vivenciarem a felicidade e leva-as a sentirem-se deprimidas e ansiosas.

Estas crenças disfuncionais incluem:

– Ideias de que as outras pessoas não gostam de você;

– Esperar o pior numa nova situação;

– Usar as ocasiões em que não teve sucesso como prova de que nunca terá êxito no futuro.

Segundo a teoria cognitiva as crenças negativas que você mantém sobre si mesmo fazem com que veja as suas experiências através de um conjunto distorcido de percepções.

 

O que faz manter as percepções negativas?

1 – Você teve tantas experiências negativas no passado que se acostumou ao fracasso e agora ele está enraizado na sua identidade.

2 – Os traços de personalidade distorcem as suas percepções de uma forma que impossibilitam que você tenha expectativas de que alguma coisa boa lhe vai acontecer.

Um estudo de Wilson McDermut e al. refere que os traços neuróticos de personalidade desempenham um papel importante ao afectarem as crenças disfuncionais das pessoas e, como resultado, a felicidade delas.

Em suma, a sua personalidade pode muito bem preparar o terreno para você ter crenças que atrapalhem o seu sucesso e felicidade. A questão é como.

O estudo de McDermut et al. sugere que a tendência para manter percepções distorcidas sobre si mesmo e das suas capacidades, e expectativas negativas parece mais provável de se desenvolver em pessoas cuja personalidade tende a olhar o mundo com preocupação e ansiedade.

Se crenças disfuncionais que indivíduos altamente neuróticos mantêm forem abordadas através de uma intervenção, então é possível ajudá-los a reverter o processo e desenvolver crenças renovadas nas suas capacidades.

 

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

A partir de: “Expecting the Worst Can Lead to the Worst If You’re Neurotic” – Susan Krauss Whitbourne

Mães emocionalmente indisponíveis

Mãe Emocionalmente Indisponível

Mãe Emocionalmente Indisponível

“Acho que literalmente ansiava por amor e atenção quando era criança.

Quanto mais a minha mãe se afastava, mais frenética me tornava. Comecei a comportar-me mal porque sabia que assim ela me daria atenção, mesmo que isso significasse ser castigada.

Parece estranho, mas foi o que eu fiz. Ao não conseguir ter o amor, lutei para ter a raiva dela. Pelo menos, naqueles momentos, ela estava lá.” – Natália

Outra mulher descreve o que fazia para ter a mãe emocionalmente presente:

“Quando eu era muito jovem percebi que a minha mãe gostava de fazer de enfermeira.

Isso fazia com que se sentisse importante e reconhecida, coisa, que eu acho, não acontecia no seu dia-a-dia.

Alguns dos momentos mais felizes da minha infância estão entrelaçados com bronquite, acredite ou não.

Quando eu estava doente, ela tinha de me incluir na interminável lista de tarefas das quais ela se queixava constantemente.

Mas na maior parte do tempo, ela ignorava-me.”

 

O anseio por amor e atenção da mãe emocionalmente indisponível é a marca registada desta filha

 

Identificar uma mãe emocionalmente indisponível

Os filhos destas mães foram emocionalmente negligenciados, embora possam ter dificuldade em reconhecê-lo, pois as suas necessidades externas não foram apenas satisfeitas adequadamente, mas também, consideradas com atenção.

Estas mães tratam das coisas de forma escrupulosa; as casas impecavelmente organizadas e as crianças bem aprumadas.

Embora possam ser muito boas a tratar da casa e muito activas nas suas comunidades, elas não prestam atenção às necessidades emocionais dos filhos, nem aos seus sentimentos.

Estas mães podem, elas próprias ter uma vinculação evitante ou, simplesmente, não gostarem das exigências da maternidade.

Alexandra refere:

“A minha mãe não respondia às minhas necessidades e quanto mais carente me sentia, menos atenção me dava.

Ela via o choro como um sinal de fraqueza e acusava-nos disso.

Cedo aprendi a pedir pouco porque era realmente melhor quando não fazia exigências.

O meu irmão e eu reagíamos a ela da mesma forma, e só na minha adolescência, quando vi as mães dos meus amigos a agirem é que percebi o quanto a minha mãe era fria.

Eu fiz psicoterapia durante alguns anos e ainda tenho dificuldade em pedir ajuda, carinho ou qualquer outra coisa. Tenho 45 anos e ainda sou muito defensiva.”

 

Como uma mãe emocionalmente indisponível o pode afectar

Ao contrário da mãe controladora ou de uma pessoa com traços narcísicos que deliberadamente faz do filho um satélite a circular à sua volta, a mãe emocionalmente indisponível faz isso sem querer.

Na verdade ela só quer ter uma relação a um nível superficial.

 

Parece estranho, mas foi o que eu fiz. Ao não conseguir ter o amor, lutei para ter a raiva dela. Pelo menos, naqueles momentos, ela estava lá.” – Natália

 

O anseio por amor e atenção da mãe é a marca registada desta filha, e ela lidará com isso eliminando as suas emoções e necessidades emocionais, consciente e inconscientemente, ou tornando-se subordinada a esse anseio.

Aqueles que se revestem de armaduras sofrem de problemas de confiança, dificuldade em manter uma ligação e problemas para identificar sentimentos, e têm um estilo de vinculação evitante.

Aqueles que estão subordinados pelos seus anseios continuam a tentar chamar à atenção das suas mães, por vezes, recorrendo a substitutos pouco saudáveis para preencher o vazio nos seus corações.

Reconhecer a negligência emocional que se sofreu é, frequentemente, um caminho longo, como explicou uma filha de 43 anos:

“Quando eu ouvia as palavras ‘negligência emocional’, imediatamente pensava em alguém que era pobre e morava numa barraca, porque eu pensava que negligência emocional era parte de não ter coisas suficientes.

Mas agora percebo perfeitamente que se pode ser emocionalmente pobre e viver numa casa linda, com piscina e court de ténis.

A minha mãe nunca me deu uma palavra de apoio ou validação e levei vinte anos para perceber que aquilo que sentia em relação à minha infância era real.

Você pode estar esfomeado com o frigorífico cheio de comida e negligenciado com um armário cheio de roupas novas e dinheiro para gastar.

Demorei muito tempo para conseguir acreditar em mim mesma.”

 

Reconhecer a negligência emocional que se sofreu é, frequentemente, um caminho longo.

 

Enredado na confusão

Um dos enigmas para as filhas de mães emocionalmente indisponíveis é o intrigante fenómeno de como a mãe pode estar fisicamente presente e completamente ausente do ponto de vista emocional.

Para a criança pequena, isto é mentalmente confuso e, à medida que a criança amadurece, ela pode permanecer assim e desenvolver uma profunda insegurança.

Provavelmente, perguntará se há algo errado com ela. Ela é demasiado carente ou exigente? Está pedindo demais?

Ou pode perguntar se está apenas a inventar. Essas perguntas podem atormentar uma filha durante a vida adulta, como explicou Laura:

“Uma parte de mim queria que a minha mãe fosse má de maneiras que pudessem ser vistas – barafustando e gritando ou talvez até mesmo bater-me, mas isso nunca aconteceu.

À superfície, ela parecia ser uma óptima mãe e, acredite em mim, toda a gente pensava assim.

Mas ela nunca realmente me ouviu ou se importou verdadeiramente comigo.

 

A minha mãe nunca me deu uma palavra de apoio ou validação e levei vinte anos para perceber que aquilo que sentia em relação à minha infância era real.

 

Ela era inacessível e fria. Eu lutei durante anos, pensando que a culpa, de alguma forma, era minha.

Quando me casei, entrei em choque quando encontrei a família do meu marido pela primeira vez.

Francamente pensei que a mãe dele estava a representar. Mas ao longo do tempo, percebi que aquilo que eu estava a ver eram demonstrações genuínas de amor e carinho. Percebi que, afinal, eu não era louca.”

 

Passos para a cura

A descoberta é o primeiro passo e implica reconhecer a forma como a sua mãe a tratava e, em seguida, começar a ver como você se adaptou a ela.

Comportamentos que você sempre considerou serem partes inatas da sua personalidade, muitas vezes revelam ser o resultado de tentar lidar com o ambiente emocional da sua família de origem.

Independentemente da forma como reagiu à indisponibilidade emocional é importante ter em atenção o peso de certos aspectos:

– Confiar nos outros é um problema na sua vida

– O grau em que você deseja ou desdenha ligações próximas

– Se você tende a isolar-se e a minimizar a importância dos relacionamentos

– Se você está sempre alerta e temerosa num relacionamento e tem problemas com limites saudáveis

– O grau em que você é emocionalmente inteligente e consegue identificar e agir de acordo com os seus sentimentos

– Se você está a repetir o padrão, sentindo-se atraído por amigos e parceiros emocionalmente indisponíveis

 

A recuperação é possível, embora seja preciso tempo e esforço.

A melhor opção é o acompanhamento por um terapeuta experiente.

A boa notícia é que você não precisa permanecer para sempre aquela menina à espera da mãe (que não veio nem virá). Existem outras formas de sair daquele quarto da infância.

 

Traduzido/adaptado por P

Comprrender as coisas de forma racional versus emocional. Pedro Martins Psicólogo Clínico

Compreender as coisas de forma Racional vs. Emocional

É necessário distinguir entre saber algo sobre nós mesmos de forma racional e emocional

Conhecer a nossa própria mente é, na melhor das hipóteses, difícil.

É, até, extraordinariamente difícil compreender coisas básicas sobre nós e o que está por trás delas.

Coisas que condicionam as nossas vidas, e, das quais, esperamos um dia libertar-nos.

Em certos momentos é, verdadeiramente desanimador, concluir que saber uma coisa sobre nós, ter consciência dela, não é suficiente para que ela se altere.

Uma compreensão racional do passado, apesar de correcta, por si só não é suficiente para nos libertar.

Podemos, por exemplo, saber do ponto de vista racional de que somos tímidos junto de figuras de autoridade porque o nosso pai era uma figura fria e distante, e que não nos apoiava nem dava o amor que precisávamos.

Conseguir chegar até esta conclusão pode ser o trabalho demorado e, tendo chegado, poderíamos esperar que os nossos problemas com a timidez e a autoridade diminuíssem.

Mas, na nossa mente, infelizmente, as coisas não são assim tão simples.

Uma compreensão racional do passado, apesar de correcta, por si só não é suficiente para nos libertar.

Para isso, temos de olhar de forma aprofundada o que se passou connosco e o que suportámos.

Precisamos dar mais um passo e compreender as coisas do ponto de vista emocional.

Teremos que contactar com um conjunto de episódios do passado, nos quais os problemas com os nossos pais e as questões da autoridade se originaram.

Temos de permitir recordar certos momentos que devido à sua intensidade foram remetidos para longe na nossa memória.

É preciso encontrar, contactar e escutar emocionalmente partes nossas.

Não basta saber que tivemos um relacionamento difícil com o nosso pai, é preciso contactar com os sentimentos associados à situação.

Sabemos que pensar racionalmente é importante – mas, por si só, dentro do processo terapêutico, não é suficiente para resolver os nossos problemas psicológicos.

Há uma diferença fundamental entre reconhecer que éramos tímidos enquanto crianças e vivenciar o que era sentir-se intimidado, ignorado e com receio de ser rejeitado ou ridicularizado.

É diferente saber, de uma maneira abstracta, que a nossa mãe não esteve muito focada em nós quando éramos pequenos e re-conectarmos com o que sentíamos quando tentávamos partilhar algumas das nossas necessidades com ela e não conseguíamos.

A psicoterapia permite reviver certos sentimentos. Só quando estamos em contacto com os sentimentos é que podemos corrigi-los com a ajuda das nossas capacidades – agora mais maduras – e, assim, abordar os problemas reais na nossa vida actual.

É preciso encontrar, contactar e escutar partes nossas – talvez pela primeira vez – para que possam ser ao mesmo tempo tranquilizadas e revigoradas.

É com base neste tipo de conhecimento emocional arduamente conquistado, e não no seu tipo racional, que podemos encontrar uma forma de resolver os nossos problemas internos.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins

a partir de “Knowing things intellectually vs. knowing them emotionally”

Amores Ardentes, Amores Frustrantes. Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico

Amores Ardentes, Amores Frustrantes

A vida de certas pessoas é marcada por grandes entusiasmos e amores ardentes que rapidamente abandonam, porque rapidamente frustrantes – pela não correspondência ao ideal desejado.

Muito desejado porque nunca obtido – não fora essa a sua falta básica:

– A de um amor materno/paterno de qualidade indiscutível, que as tivesse verdadeiramente preenchido.

Um afecto incondicional, que não dependesse dos seus atributos ou desempenhos; cuja única condição fosse a de existir e ser filho.

Esse amor que só um pai ou uma mãe pode e sabe dar.

Que nenhum homem ou mulher irá oferecer numa relação conjugal;

Que nenhum amigo, colega, mestre ou discípulo preencherá.

Que só quem ama como mãe ou pai pode fornecer;

Ou quem possa entender essa falta essencial – alguém muito empático que a sorte lhe possa trazer.

Habitualmente isso não acontece.

 

Os amores ardentes são frustrantes por não corresponderem ao ideal desejado.

 

Só uma psicoterapia que considere o lado experiencial lhe poderá pôr cobro, pelo encetar de uma relação diferente que o paciente desconhece, e por isso nova.

É um novo vínculo de apego que se estabelece e vai relançar o desenvolvimento normal; e novo, também porque nunca antes verdadeiramente experimentado.

Processo que se inicia na relação terapêutica, mas que passa, se contínua e persiste no quotidiano.

 

São pessoas que, sobretudo, fazem escolhas precipitadas.

 

Nelas impera mais a primeira impressão que um exame cuidadoso, a razão apaixonada que o bom senso, o brilho do outro que a natureza do seu interior.

É uma escolha narcísica – o sujeito reflecte-se no espelhado do outro, no outro que o ecoa ou admira; ou aquece-se ao seu brilho e participa na sua grandiosidade.

Tais relações revelar-se-ão sempre decepcionantes e desprazerosas:

– porque simétricas e não complementares -, trazendo sofrimento e conduzindo a inevitáveis e até a desejadas roturas.

Enquanto persistir o mesmo mecanismo de selecção – o que acontece se a estrutura e o funcionamento mental não mudarem -, o ciclo reinicia-se a cada novo relacionamento amoroso.

Bibliografia: “O Desespero” – A. Coimbra de Matos

Compreender a Ansiedade (parte III) - O Papel da Psicoterapia - Pedro Martins Psicoterapeuta

Compreender a Ansiedade (parte III)

Compreender a Ansiedade – O Papel da Psicoterapia

A psicoterapia pode ser uma forma de descobrir respostas para as questões complexas a que a ansiedade remete.

A psicoterapia é uma ajuda preciosa na medida em que faz aumentar a autoconsciência da pessoa.

Todos temos pontos cegos no que diz respeito aos nossos próprios pensamentos, sentimentos e motivações.

Fazer psicoterapia com um clínico qualificado pode ser um pouco como ver-se ao espelho.

Se você ficar muito perto do espelho, só verá uma pequena parte de si mesmo reflectida.

A terapia é como dar um passo para trás em relação ao espelho – você continua a ver o que via antes, mas agora consegue ver muito mais de si mesmo.

Isso significa que pode compreender coisas novas – coisas de que gosta e de que não gosta. Embora isso possa ser complicado, também pode ser muito valioso.

Afinal, se o seu carro não está a funcionar bem, mas você recusa-se a abrir o capô e olhar lá para dentro, provavelmente, não conseguirá resolver o problema.

A psicoterapia faz aumentar a autoconsciência da pessoa.

Da mesma forma, é muito difícil descobrir como lidar com uma dor emocional se nos recusarmos a olhar para dentro da nossa própria mente.

Então, como a psicoterapia pode ajudar a lidar com a ansiedade?

O processo terapêutico pode ser uma ajuda preciosa para descobrir o que significam os sentimentos de ansiedade.

– É, eventualmente, uma resposta ansiosa a uma situação stressante? (ansiedade funcional/situacional)

– É uma angústia existencial que resulta de um desfasamento entre aquilo que você possui, e o que precisa e deseja? (ansiedade existencial)

– É uma ansiedade disfuncional, inútil, que subestima as suas capacidades e amplia a sensação de perigo? (ansiedade disfuncional)

Em muitos casos, é uma mistura de várias ansiedades.

É importante descobrir o que está acontecer porque diferentes tipos de ansiedade necessitam de respostas distintas.

Muitas vezes as pessoas notam um desconforto mental, mas não estão cientes do que é a ansiedade. Através do processo psicoterapêutico, isso pode ficar claro.

Se a ansiedade é sobre um problema iminente que pode ser resolvido, então, procurar o apoio dos outros e empregar os seus recursos para resolver o problema, pode ser suficiente para diminuir a ansiedade.

Por exemplo, se uma pessoa achar que não está preparada para apresentar um trabalho, provavelmente, vai sentir-se ansiosa.

Cada tipo de ansiedade necessita de uma respostas distinta.

Preparar melhor a apresentação, treinar com um amigo ou colega e responder às perguntas prováveis, pode ser o suficiente para que a ansiedade desapareça.

Mas se o problema for evitado, a ansiedade vai aumentar.

Através da abordagem de várias questões na psicoterapia, podemos chegar à conclusão de que certos pensamentos desconfortáveis e sentimentos de ansiedade ou pânico vêm do “Departamento de Ansiedade Existencial”.

Ao compartilharmos os nossos medos humanos comuns – medo de morrer, de estar a viver uma vida desprovida de significado, medo de não deixar uma marca, um legado – sentimo-nos mais fortes e capazes de tolerar a ansiedade existencial quando ela surge.

Se estamos sozinhos perante os nossos medos humanos básicos, eles tornam-se mais pesados ​​e penosos.

Se compartilharmos os nossos medos somos capazes de tolerar a ansiedade existencial.

Compartilhá-los com uma pessoa que seja solidária e compreensiva pode ajudar a desenvolver um espaço comum de entendimento e um sentimento de pertença.

Essa pessoa pode ser um psicoterapeuta, mas também pode ser um amigo, membro da família ou parceiro íntimo.

Vamos voltar ao nosso exemplo hipotético do “João”, um advogado que começou a duvidar se realmente tinha feito uma boa escolha, ou se devia procurar outras coisas que o realizassem.

Se houver um amigo próximo em quem o João confie e possa conversar sobre as suas dúvidas, preocupações, sentimentos de mal-estar e ansiedade, talvez se sinta mais determinado para explorar outras opções; a dar um passo corajoso em direcção ao assustador desconhecido – e, perceber o que é realmente importante para ele, independentemente do que as outras pessoas (pais) queiram que ele seja ou faça.

O apoio do amigo pode ajudar o João a aventurar-se na descoberta daquilo de que realmente gosta.

Estas conversas, quer ocorram em psicoterapia ou numa outra relação de confiança, podem ajudar as pessoas a aprofundar os seus desejos e necessidades, e a ver a vida com outros olhos.

E se a pessoa ao tentar entender a ansiedade, descobrir por meio da psicoterapia (ou não), que está a lidar com uma ansiedade disfuncional?

Vamos dar outro exemplo hipotético. Vamos chamar “Filipa” à pessoa deste exemplo.

Imagine que a Filipa sente uma ansiedade muito grande sempre que conhece novas pessoas.

Tanto que, apesar de querer fazer novas amizades, ela recusa-se a ir a festas e a eventos quando é convidada.

Uma vez que fica extremamente ansiosa quando é apresentada a novas pessoas, ela não se aventura para além dos vários conhecidos/amigos que tem, mas ao mesmo tempo sente-se sozinha e sem amigos íntimos.

Imaginemos que na psicoterapia a Filipa fica mais consciente de que, quando conhece novas pessoas, bloqueia com o receio que os outros achem que é entediante e a rejeitem.

Se ela analisar mais profundamente essa expectativa, poderá encontrar outra coisa – a crença de que não é agradável e que é uma pessoa desinteressante.

A ansiedade social está associada à forma como nos vemos.

Por vezes, crenças como esta são fardos pesados que carregamos sem sabermos – talvez tenham estado ali desde sempre, de modo que são tão familiares que nem os estranhamos, ou, talvez, estejam submersos nas distracções da vida quotidiana.

A ansiedade social da Filipa está associada à forma como se vê.

A psicoterapia pode ajudar a compreender porque o espelho lhe devolve uma imagem distorcida de si mesma.

Isso implica desafiar certas crenças negativas sobre ela própria e explorar a origem dessas crenças.

Dessa forma, a Filipa será capaz de reconhecer e a apreciar as suas qualidades, e, nesse sentido, dar pequenos passos para se ligar aos outros.

Adaptado por Pedro Martins a partir de: “Understand Anxiety” – Alina Sotskova

Personalidade Depressiva e Depressão - Pedro Martins Psicoterapeuta Psicólogo Clínico. Foto Enzo Penna

Personalidade Depressiva e Depressão

O estudo dos estados depressivos mostra-nos que devemos distinguir entre a personalidade depressiva e a depressão propriamente dita.

A personalidade depressiva é caracterizada pela deficiente organização do investimento narcísico – a baixa auto-estima é o seu pano de fundo.

O indivíduo é dominado por um sentimento mais ou menos permanente de frustração, de não realização dos seus planos e projectos.

Podemos olhar para o depressivo como uma espécie de frustrado, em grande parte, em função do seu desejo omnipotente, de uma enorme ambição.

A baixa auto-estima é o pano de fundo da personalidade depressiva.

Mas também em face das decepções sofridas no passado.

Portanto, na depressividade há uma situação de frustração, de falta do desejado; e não bem uma situação de perda.

Mais do que uma situação de perda, é o reconhecimento da impossibilidade de concretização de um desejo e de uma fantasia.

O reconhecimento da limitação imposta pela realidade; mas mal aceite, não elaborado, não “digerido”. Desta forma, uma constante insatisfação marcam o seu humor e o seu destino.

Na depressão propriamente dita, há uma perda.

É evidente que este desejo e fantasia não surgem (como aliás nada) por geração espontânea. Resultam do hiperinvestimento de pais narcísicos, insatisfeitos e frustrados, que investem compensatoriamente nos filhos.

Na depressão propriamente dita, há uma perda. Essa perda é ao mesmo tempo narcísica e acompanhada por sentimentos de culpa. (ver: “Depressão: As Causas e a Cura“)

O núcleo do sofrimento depressivo é o sentimento de falta de afecto, de carência afectiva – essa dolorosa brecha com raízes num passado longínquo.

Como acreditar no amor, se a experiência primeira, a do que é consagrado e sentido como o berço do amor, foi de não-amor, de pouco ou de amor insuficiente?

É uma vida triste. E é-o porque foi; o ferrete do passado marca o destino do presente.

É esse sentimento profundo de que a vida foi e é pobre de afecto, em que no balanço entre a tristeza e a alegria o volume da primeira se mostra sempre maior.

Bibliografia: “A Depressão” – Coimbra de Matos

Porque repetimos os padrões autodestrutivos Pedro Martins Psicoterapeuta

Por que repetimos os padrões autodestrutivos?

É uma experiência frustrante (e comum) repetir constantemente os mesmos padrões autodestrutivos, apesar de desejarmos o contrário.

As variações deste tema são muitas: procrastinação, relacionamentos com parceiros egoístas, compras compulsivas, beber ou comer demais, etc.

Você diz a si próprio que agora vai controlar melhor as coisas e motiva-se para isso.

E, durante algum tempo, tem sucesso, mas para sua surpresa, o esforço dura pouco.

S. Freud chamou-lhe “compulsão à repetição” e compreendeu que isso estava relacionado com o nosso desejo de arrumar algo inquietante e não resolvido do nosso passado.

Originalmente pensou que a tomada de consciência do problema seria o suficiente para o resolver, mas Freud acabou por perceber, provavelmente como você, que, embora esse seja um primeiro passo, geralmente, não é suficiente para quebrar o ciclo.

Por que é que a tomada de consciência do problema não é suficiente para quebrar os ciclos autodestrutivos?

A resposta é: porque o comportamento indesejado é ao mesmo tempo o problema e a solução.

Por exemplo, estamos cientes de que as compras compulsivas são problemáticas.

Mas um olhar mais atento permite perceber que as compras compulsivas também são uma forma de lidar com um outro problema – que permanece escondido ou fora da nossa consciência.

Enquanto permanecer escondido, o ciclo indesejado de comportamentos e o sofrimento emocional associado que ele evoca, persistirão.

O comportamento indesejado é ao mesmo tempo o problema e a solução.

Na psicoterapia psicanalítica, o significado oculto é revelado, permitindo um maior controle sobre o comportamento indesejado.

À medida que a terapia avança, o terapeuta dirige a atenção do paciente para certos aspectos das experiências (das quais o paciente não tem muita percepção, ou desvaloriza), revelando dimensões ocultas que podem estar relacionadas com a questão da impulsividade.

O CASO DE MARY

Mary estava ciente de que fazia demasiadas compras, gastava demais e acabava a sentir remorsos do que tinha feito.

Os remorsos e as dívidas levaram a um ciclo de auto-depreciação ao qual ela reagiu com a destruição dos cartões de crédito e proibindo-se de fazer compras.

Os esforços para controlar as coisas duraram pouco.

Por razões desconhecidas para ela, o impulso para fazer compras ressurgiria de forma muito intensa, à qual ela não conseguia resistir.

Os remorsos desapareciam completamente no imediatismo desses momentos, e só encontrava alívio nas compras. Então, o ciclo doloroso começava novamente.

Mary descreveu a mãe como uma mulher que se definia pela sua beleza.

Os momentos mais intensos, e mais extraordinários de Mary com a mãe giravam em torno das saídas para fazer compras.

Mary lembrava-se bem de sentir-se apaixonada, como se fosse a boneca da sua mãe durante os dias de compras.

As memórias iniciais de Mary sobre esses tempos eram exclusivamente positivas, explicando pouco sobre a sua compulsão para fazer compras.

Progressivamente, o terapeuta foi dirigindo a atenção de Mary para aspectos esquecidos das suas interacções com a mãe, lançando uma nova luz sobre o problema.

As compras compulsivas são também uma forma de lidar com um outro problema que permanece escondido ou fora da nossa consciência.

Por exemplo, Mary lembrou-se de ter ficado perplexa quando a mãe lamentou as formas do corpo de Mary, a cor dos seus cabelos, as suas feições e como ela nunca ficava bem nas roupas.

Mary compreendeu pela primeira vez que tinha começado a odiar-se tanto quanto acreditava que a mãe a odiava.

Por fim, Mary foi capaz de ligar o imediatismo dos seus impulsos para fazer compras aos antigos estados de ódio a si própria.

E quando percebeu que a mãe tinha lutado ineficazmente com os seus próprios problemas de auto-estima e, portanto, foi incapaz de amparar Mary, ela libertou-se da busca inconsciente de aprovação da mãe, falsamente prometida nas idas às compras.

Em resumo, Mary destrinçou os seus verdadeiros sentimentos sobre si mesma daqueles que ela acreditava que a sua mãe sentia, alterando, assim, o ciclo autodestrutivo.

Mary podia agora responder aos problemas de auto-estima de maneira mais produtiva, e se quisesse, poderia fazer compras para o seu próprio prazer.

Freud referia que somos compelidos a repetir até nos lembrarmos.

A compulsão de Mary para fazer compras repetiu-se até que ela se recordou como e porque a sua auto-estima tinha sido afectada.

Embora fosse doloroso recordar isso, permitiu-lhe responder de maneira mais eficiente aos problemas de auto-estima.

A maioria dos comportamentos autodestrutivos, quer seja compulsão para comprar ou compulsão alimentar, acarreta alguma combinação de autodestruição e autoprotecção.

O desafio é descobrir as raízes de ambos os problemas para se encontrar uma resposta mais saudável.

Traduzido/adaptado por Pedro Martins a partir de:

“Why Can’t I Stop Repeating the Same Stupid Behaviors?”

O-Primeiro-Espelho-Pedro-Martins-Psicoterapeuta - Psicoterapia

O Primeiro Espelho é a Face da Mãe

“No desenvolvimento emocional individual, o precursor do espelho é a face da mãe.” D. W. Winnicott

Quando olhamos nos olhos de alguém, podemos sentir-nos amados, odiados, rejeitados ou compreendidos.

Mesmo enquanto adultos, é muitas vezes uma experiência poderosa e põe-nos em contacto com a ressonância e o eco da infância, e com essa sensação de luta para sermos reconhecidos pelo nosso primeiro espelho – a nossa mãe.

Todos nós enterramos no nosso interior uma memória da experiência de nos vermos reflectidos nos olhos da nossa mãe.

Para quem é mãe pela primeira vez, amamentar e interagir com o bebé pode trazer de volta essa sensação de continuidade, simbiose e conexão – de uma forma boa.

Mas também pode trazer sentimentos assustadores e incoerentes, como o de cair num estado de semi-existência – ou no nada.

No seu artigo inspirado no ensaio de Lacan sobre The Mirror Stage, o psicanalista D.W.Winnicott examina as primeiras experiências de nos sentirmos reflectidos.

“O que o bebé vê quando olha para o rosto da mãe? Sugiro que, normalmente, o que o bebé vê é ele mesmo. Noutros termos, a mãe está a olhar para o bebé e aquilo com que ela se parece está relacionado com o que ela vê ali. Tudo isso é facilmente tomado por evidente. Peço que isso, naturalmente, bem realizado por mães que estão a cuidar dos filhos, não seja considerado tão evidente assim. Posso demonstrar a minha proposição referindo o caso de um bebé cuja mãe reflecte o próprio humor dela ou, pior ainda, a rigidez das suas próprias defesas. Em tal caso, o que é que o bebé vê?

Naturalmente, nada se pode dizer sobre as ocasiões isoladas em que a mãe pode não reagir. Muitos bebés, contudo, têm uma longa experiência de não receber de volta o que estão a dar. Eles olham e não se vêm a si mesmos. Há consequências. […] Depois, o bebé se acostuma à ideia de que, quando olha, o que é visto é o rosto da mãe. O rosto da mãe, portanto, não é um espelho. Assim, a percepção toma o lugar da apercepção, toma o lugar do que poderia ter sido o começo de uma troca significativa com o mundo, um processo com duas direcções no qual o auto-enriquecimento se alterna com a descoberta do significado do mundo das coisas vistas”

Embora, claro, isto seja bastante denso, o que eu acho que Winnicott quer dizer é que mães que estão absortas nos seus próprios pensamentos ou estão emocionalmente indisponíveis (devido ao stress, ansiedade, medo ou traumas não resolvidos) não respondem ao bebé de maneira a que ele possa desenvolver um sentimento de self.

Essa falta de resposta impede que o bebé se veja a si mesmo reflectido e respondido no rosto da mãe. O bebé também perde a oportunidade de se envolver em trocas e entender o ambiente social como um lugar de intercâmbio, onde o seu self em desenvolvimento é parte integrante (potencial) dos relacionamentos.

 

“A principal tarefa do terapeuta é ser o espelho que esteve ausente na infância.”

 

Esse espelhamento precoce também é teorizado pelo psicólogo Heinz Kohut (psicologia do Self). Para Kohut, a principal tarefa do terapeuta é fornecer o reflexo que esteve ausente na infância. Ele vê o papel do terapeuta como o “self-objecto” que oferece reconhecimento empático para o “verdadeiro” self, que foi frequentemente negligenciado ou reprimido, e assim permitir que o self fragilizado possa emergir.

Tanto Winnicott como Kohut sublinham o poder dessas experiências – a experiência de ser espelhado. Eles enfatizam que as nossas primeiras experiências sociais podem condicionar a nossa sensação de estarmos vinculados, de nos sentirmos amados – de existir.

Parece um enorme e pesado impacto para algo que a maioria de nós não se lembra.

Pesquisadores contemporâneos encontraram evidências que apoiam as teorias de Winnicott. Por exemplo, no livro sobre a vinculação e os olhos da mãe, a psicanalista Mary Ayres refere que aqueles que não foram espelhados adequadamente podem apresentar um sentimento primitivo de vergonha. Esse sentimento de vergonha é incorporado ao senso de si em desenvolvimento e fornece um núcleo de “não reconhecido” em torno do qual a personalidade é formada. Normalmente não está disponível para o pensamento consciente, mas permanece como uma sensação de se ser incompleto ou de não se ser amado.

Em terapia, procuramos ajuda para questões que se desdobram de sentimentos subjacentes de falta de amor. Um bom terapeuta é aquele que nos oferece o espelhamento que nos fará sentir compreendidos.

Como terapeuta, estou bem ciente de que as palavras muitas vezes fracassam. Mas a compreensão, a empatia e, sim, o amor podem colmatar as lacunas da linguagem.

Para Kohut e outros teóricos, a empatia é a principal força de cura na terapia e, sem ela, apenas fornecemos argumentos intelectuais – palavras e ideias que remetem para feridas mais profundas.

 

Traduzido e adaptado por Pedro Martins

A partir de: “The first mirror” – Amanda Robins

A retoma do desenvolvimento suspenso

A Retoma do Desenvolvimento Suspenso

“Deve-se incluir numa teoria a respeito do desenvolvimento do ser humano a ideia de que é normal e saudável, para o indivíduo, ser capaz de defender o Eu contra fracassos ambientais específicos através do congelamento da situação de fracasso. Junto com isso surge a suposição inconsciente (que se pode tornar uma esperança consciente) de que mais tarde haverá oportunidade para uma experiência renovada, em que a situação de fracasso poderá ser descongelada e reexperimentada, com o indivíduo num ambiente que proporcione uma adaptação adequada.” – Winnicott 1958:281

É através do desenvolvimento de uma nova relação  – desenvolutiva e sanígena – com o terapeuta (relação terapêutica) que o paciente caminha para a cura.

 

Uma das mais importantes finalidades da psicoterapia é que o paciente retome o desenvolvimento suspenso e se apodere da sua pessoa profunda.

 

A nova relação retoma o desenvolvimento outrora suspenso e eventualmente desviado. A cura, é, portanto, um retomar do processo desenvolvimental.

A nova relação é também uma relação de transferência, mas de transferência do desejo – do desejo de um relacionamento empático, responsivo, em que o paciente se sinta reconhecido, compreendido e aceite na sua diferença e originalidade.

Uma das mais importantes finalidades da psicoterapia é que o paciente se apodere da sua pessoa profunda e desenvolva a sua identidade. A psicoterapia psicanalítica pretende que o paciente alcance modificações profundas e estáveis no seu modo de se relacionar com os outros e consigo mesmo.

Depois de uma psicoterapia com sucesso as relações interpessoais e intra-subjectivas do paciente serão completamente diferentes. Uma personalidade substancialmente recalcada dará lugar a uma pessoa mais inteira. As relações fortemente defensivas evoluirão para relações mais abertas e mais límpidas.

A experiência tendencialmente cognitiva e desafectivada enriquece-se por uma experiência que ser quer vivida e sentida.

Tudo isto se consegue por um processo de facilitação do contacto do sujeito consigo próprio e com o outro, que é, ao fim e ao cabo, a finalidade da relação terapêutica, interpretando as resistências que impedem a condutabilidade espontânea e natural do sistema de inter-relação humana.

Acusar e Perdoar em Psicoterapia - Pedro Martins Psicoterapeuta

É Possível Perdoar?

“Acusar, perdoar e reconciliar-se.”

A origem do excesso de agressividade internamente acumulada é um complexo problema etiopatogénico, e importa saber como e porquê se constitui tal acervo de agressividade contida (raiva, ressentimento, ódio, desejo de retaliar).

Ao mesmo tempo, é preciso saber quando e de que maneira o paciente pode assumir os seus afectos constrangidos, elaborar a dor e o sentimento de injustiça e reparar os danos e prejuízos sofridos.

Como e em que tempo pode ele acusar, perdoar e reconciliar-se.

É costume ouvir-se dizer – “perdoei mas não esqueci”. Nada de mais errado psicologicamente, e portanto produto de uma convicção ilusória.

“Perdoar é necessário à saúde mental.”

O animal homem esquece, mas raramente perdoa. E simplesmente perdoar as ofensas sofridas não é a atitude psicológica mais correcta e saudável.

Contudo, o perdão é necessário à saúde mental. Como resolver então este aparente paradoxo?

Parece complicado, mas não o é de todo.

Para perdoar é preciso previamente ter acusado. Só depois de acusar, mover o processo de inculpação, é possível o perdão, a amnistia, a clemência.

Acusar não é condenar; é esclarecer.

A reconciliação com o inimigo de outrora só é viável após a libertação do ódio e ressentimento contidos.

Com falso perdão ou pseudo-reconciliação não se constrói bem-estar psíquico nem bom relacionamento.

Aquele que foi agressivo, abandonante, negligente, explorador ou desqualificante tem que ser “acusado” perante o terapeuta, juiz neutro e benevolente.

Só depois poderá ser compreendido nas suas dificuldades e patologia, e entendida a relação (interna e externa) agressiva e patogénica que com o sujeito estabeleceu.

Então, mas só então virá o perdão.

No entanto, há ofensas que não se podem nem devem perdoar – o respeito por si próprio e a dignidade a que cada um tem direito traçarão o limite do perdoável.

Nem sempre o perdão é necessário à saúde mental e, em algumas circunstâncias, pode ser inconveniente.

Bibliografia: “Mais Amor, Menos Doença” – A. Coimbra de Matos

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